Canabidiol e a Epilepsia

A epilepsia é uma doença crónica e relativamente rara. Apesar disso, é a quarta doença neurológica mais comum e uma importante causa de incapacidade que afeta cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Um terço deste grupo vive com convulsões incontroláveis, uma vez que não existe tratamento médico adequado para a sua doença. Desta forma, encontrar alternativas terapêuticas que sejam mais efetivas e que permitam melhorar a qualidade de vida destes doentes é extremamente importante. Nesta perspetiva, foram realizados vários estudos da utilização do canabidiol por doentes epiléticos que mostraram resultados muito positivos. Será este princípio ativo da Cannabis sativa a esperança que faltava a estes doentes?

Poderá o CBD ajudar a epilepsia

Epilepsia e o CBD

Quais são os sintomas da epilepsia?

O sintoma mais característico da epilepsia são as convulsões. Estas surgem devido a descargas neuronais excessivas e síncronas que ocorrem numa certa população de neurónios. No entanto, sofrer uma crise convulsiva isolada não é sinónimo que você tenha epilepsia ! Vários fatores podem desencadear uma crise epilética, incluindo a febre, a privação de sono, a toma de alguns medicamentos ou drogas, a ansiedade, a mudança súbita da intensidade da luz, a ingestão de álcool, entre outras…

Alguns outros sintomas que surgem antes ou depois das crises epiléticas incluem:

  • Perda de consciência
  • Aura
  • Sensação de déjà vu
  • Confusão mental
  • Sonolência

Qual é o tratamento utilizado para tratar os doentes epiléticos?

A primeira opção de tratamento para os doentes epiléticos é, geralmente, a toma de antiepiléticos. Estes fármacos são dotados de uma eficácia relativamente boa mas, como já foi referido anteriormente, cerca de um terço dos doentes não responde ao tratamento. A acrescentar a este facto, todos estes medicamentos podem despoletar efeitos adversos graves e difíceis de controlar.

Quando o tratamento farmacológico não é possível, os médicos podem recorrer a outros tratamentos mais agressivos para o organismo. Dentro deste grupo inclui-se a cirurgia para remoção da área cerebral responsável por despoletar as crises convulsivas ou a estimulação do nervo vago por um estimulador implantado sob a pele.

O canabidiol poderá ser uma esperança?

Está provado que o organismo dos doentes epiléticos produz endocanabinóides em resposta à atividade convulsiva. O objetivo da produção destes mensageiros é ativar os recetores CB1 dos neurónios excitatórios para conter as descargas neuronais excessivas. Daqui se depreende rapidamente o potencial terapêutico do canabidiol, constituinte do óleo de CBD, nesta doença. Foi com base nesta perspetiva que vários estudos clínicos e laboratoriais foram sendo realizados, nestes últimos anos. Um dos mais importantes sobre o tema mostrou uma abolição total ou redução das crises convulsivas em 84% das crianças com epilepsia que receberam tratamento com canabidiol. Além disto, praticamente nenhum efeito secundário foi detetado, além da sonolência.

Por tudo isto, é seguro afirmar que o canabidiol poderá mesmo ter um papel importante no tratamento da epilepsia. A New York University School of Medicine recebeu inclusivamente autorização da FDA para estudar um novo produto que contem 98% de canabidiol, chamado Epidiolex, em doentes resistentes ao tratamento com medicamentos antiepiléticos. Se tudo correr como esperado, em breve teremos no mercado um medicamento à base de canabidiol para tratar esta doença grave e de difícil tratamento. Mais do que uma esperança, o canabidiol poderá vir ser uma certeza para estes doentes!

 

Texto por Rui Gomes

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